sábado, 13 de agosto de 2011


“Aquí está Francisco Villa
com sus jefes y oficiales,
Es el que viene a ensillar
A las mulas federales.

Ora es cuando, colorados,
Alistense a la pelea.
Porque Villa y sus soldados,
Les quitarán la zalea!

Yá llego su amansador,
Pancho Villa el guerrillero,
Pa' sacarlos de Torreón
Y quitarles hasta el cuero!

Mulheres e até crianças aderiram à revolução mexicana.
Los ricos com su dinero
Recibieron una buena
Con los soldados de Urbina
Y los de Maclovio Herrera

Vuela, vuela, palomita,
Vuela em todas las praderas,
Y di que Villa ha venido
A hacerles echar carreras.

La Justicia vencerá.
Se arruinará la ambición,
A castigar a toditos,
Pancho Villa entró a Torreón.

Vuela, vuela, águila real,
Lleva a Villa estos laureles,
que ha venido a derrotar
a Bravo y sus coroneles.

Ora, hijos del Mosquito,
Que Villa tomó Torreón,
Pa' quitarles lo maldito
A tanto mugre pelón!

Viva Villa y sus soldados!
Viva Herrera com su gente!
Ya han visto, gentes malvadas,
Lo que pueden los valientes.

Ya com ésta me despido:
Por la Rosa de Castilla,
aquí termina el corrido
Del General Pancho Villa!”


Pancho Villa no cavalo


Poema dos camponeses, em improvisação numa noite de trégua, registrado por John Reed. 


  • Neste link [Mexican corridos], tem um pouco mais da história da revolução mexicana de 1910, e diversos corridos, como eram chamados estes poemas.

México Rebelde - os camponeses pegam em armas


         A situação mexicana era de caos e desordem. Generais confiscavam as terras e as administravam de seus próprios modos. Pobreza. Camponeses sem terras. Revolucionários, e entre eles, Pancho Villa.
         A Revolução mexicana de 1910 estava a toda quando John Reed, jornalista e revolucionário americano, foi enviado por um influente jornal para fazer a cobertura dos acontecimentos históricos.
John então convive com os mexicanos durante todo o desenrolar da revolução, e desnuda seus anseios por um país mais justo. Retrata a pobreza daqueles camponeses, que como uma última esperança, agarram-se na ideia da revolução e entregam seu sangue e vida por ela, em atos de coragem e amor aos companheiros, atirando-se em batalhas sanguentas e brutas como a ultima alternativa para uma vida mais digna.

Uma edição meio velhinha...
         Entre esses revolucionários, destaca-se a figura de Pancho Villa. Líder amado, outras vezes temido, mas fundamental para o sucesso dos camponeses. Ainda hoje Pancho é lembrado por suas táticas irreverentes de ataque, que teve de inventar pois nunca teve conhecimento de estratégia militar, e as abominava e desdenhava. Foi o inventor das marchas relâmpago da cavalaria e do ataque noturno no México. Atacava de forma sem precedente no país. Chegou a capturar um trem de carga dos federais, e mandava cartas ao general federal em nome do antigo comandante do trem, para não levantar suspeitas e atravessar uma grande distância com sua tropa. Chegou ao destino sem ser descoberto e fez um ataque totalmente inesperado. Em três anos, ele saiu da obscuridade e chegou à posição mais destacada do México. Mesmo assim, não tinha ganâncias para de tornar presidente, como muitos achariam normal. Dizia que um homem inculto não deve dirigir seu povo, que não saberia lidar com os homens do congresso, que não era educado e nem sabia ler. Reconhecia a falta de capacidade para o cargo: “sou um guerreiro, não um homem de Estado”. E era essa simplicidade e obstinação que fazem a figura de Pancho uma das mais notáveis que o México já lançou.


         Reed se dedica ao mostrar os caminhos políticos que o país estava levando. Faz isso com seriedade, e o mais importante, verdade. Mostra o ponto de vista da população, e luta com eles na frente de batalha, se entregando aos ideais dos mexicanos. Narra cenas de puro horror, homens despedaçados e ainda esperançosos. Tudo o que aquela gente queria era que a revolução vencesse, e era um sentimento profundo que se alastrou pelo país.  Em contrapartida, mostram-se um povo alegre nos momentos de “calmaria”, que enfrenta os problemas de frente, gente valorosa e de muito bom humor, que aproveitava as noites para fazer festa (e pelear, também) e apreciavam uma roda em volta da fogueira para cantar versos rimados de amor e revolução. O modo como eles acreditavam em Villa, no país e num futuro melhor às vezes emociona na narrativa de Reed, e a gente sente como se quisesse poder ter lutado também...

terça-feira, 2 de agosto de 2011

A Revolução dos Bichos em animação

     Achei incrível essa animação (dos primórdios) do clássico de George Orwell, A Revolução dos Bichos. Gosto da obra por todo seu caráter, não a vejo como uma simples fábula, mas com um intenso contexto histórico e polítco (encontram-se materiais acerca fácil), e para mim, como vegetariana, vejo este ponto na obra também, o da libertação animal, embora este decaia, mais adiante, dando espaço às vulgaridades e falsidades do animal humano.









Bom proveito!

Da Utopia do tudo

A Utopia é como o horizonte numa caminhada de fim de tarde; sabemos que não podemos alcançá-lo, mas ele está lá, e é ele que nos faz avançar a cada dia.



Então não me digas que utopias não valem de nada.

Filme Vincent, de Tim Burton

Adoro Tim Burton, ele é genial. Este é o seu primeiro curta-metragem, em stop-motion, de 1982, com o personagem principal baseado no ator de terror Vincent Price, com insinuações de outra influência marcante para o cineasta, Edgar Allan Poe. O texto é muito poético e envolvente, ainda mais com a voz marcante do próprio Vincent Price, que narra esta história.

Deixo vocês então com Vincent:

quinta-feira, 21 de julho de 2011

A Bruxa e a arte do Sonhar

Florinda, que vive no mundo de dom Juan Matus (o mesmo mestre de Carlos Castaneda), é enviada para a Venezuela, local de sua origem, numa missão de buscas por respostas e perguntas. Lá chegando, em eventos do acaso, Florinda acaba por encontrar dona Mercedes Peralta, conhecida curandeira e feiticeira de uma remota região do país. Mas não é por acado que Florinda torna-se sua aprendiz, impressionado-se ao perceber o despertar de seu caminho como espiritualista e médium, através do contato com os pacientes da curandeira, que lhe contam suas histórias fantásticas, fontes de mistérios, e do grande conhecimento do mundo espiritual que Mercedes possui. Através dos dias e meses, as histórias vão se entrelaçando e criando uma teia, e Mercedes percebe que não é ela quem vai fazer um ato por Florinda, mas sim a própria Florinda foi enviada até ela para lançar sua “sombra de feiticeira” sobre Mercedes e fazer sua “roda da oportunidade” mover-se.
Em “A Bruxa e a Arte do Sonhar”, somos levados para o íntimo das histórias dessas feiticeiras, admirando-nos com a beleza da cura espiritual e do poder, e de uma história de autodescoberta fascinante e inspiradora para qualquer pessoa com sensibilidade para acercar-se dos profundos conhecimentos proporcionados por essa agradável leitura.



Trechinho:

“ - Algumas crianças têm a força para desejar alguma coisa com muita paixão por um longo período de tempo. Candelária era uma criança assim. Ela nasceu desse jeito. Ela desejou que seu pai ficasse e desejou isto sem um pingo de dúvida. Dedicação, determinação, é isto que uma feiticeira chama de sombra.”


Autora: Florinda Donner-Grau
Editora: Nova Era
Páginas: 288

El viaje definitivo

“...e eu partirei. Mas os pássaros ficarão, cantando:
e meu jardim ficará, com sua árvore verdejante,
com seu poço d'água.
Em muitas tardes os céus serão azuis e plácidos,
e os sinos das torres repicarão,
como repicam esta tarde.
Aqueles que me amaram passarão,
e a cidade explodirá de novo cada ano.
Mas meu espírito sempre vagará nostálgico
no mesmo recanto escondido de meu jardim florido.”

Juan Ramón Jimenez
“El viaje definitivo” (“A viagem definitiva”)
retirado de Viagem à Ixtlán, de Carlos Castañeda

quarta-feira, 20 de julho de 2011

A Sombra de Innsmouth

A Sombra de Innsmouth apresenta ao leitor os horrores de um universo onde aberrações monstruosas abalam as fundações da sanidade e ameaçam o futuro da espécie humana.


Terrivelmente instigante e fascinante. A Sombra de Innsmouth, com sua notória narrativa sufocante,  leva o leitor às sombras de submundos. Robert Olmstead, o narrador desta perfeita mistura de terror e fantasia, é o sujeito curioso que resolve investigar um assunto proibido, falado aos sussurros pelas pessoas: o estranho vilarejo de Insmouth. Sobre ele surgem os mais variados boatos, aterrorizantes e  mirabolantes, sobre as almas moribundas que por lá vivem, como eles tratam os estrangeiros com arrogância e o estado decrépito da cidadezinha portuária. O mais curioso que se falava era a aparência das pessoas de lá, que pareciam sapos sobre duas pernas. Mas tudo isso não passava de boatos, até Robert lá chegar e perceber o estado de desolação do malcheiroso lugar. Não via pessoas, apenas sombras que se esgueiravam entre os muros na presença de um estranho. Olhos brilhantes e ruídos esquisitos se escondiam no escuro. Mas ao cruzar o caminho de Zaddok Allen, velho bêbado e meio alucinado, Robert desencava e desenreda informações de uma história centenária que mais parece saída de algum conto sobrenatural. Mas teriam elas fundamento, ou eram invenção da mente alucinada do velho? Ao ser perseguido pela misteriosa população, Robert presencia cenas de puro horror, e a história do pacto de ganância com demônios marinhos e da lenta transformação daquelas pessoas em peixes abomináveis finalmente aparece aos seus olhos incrédulos. Mas no que ele mesmo se transformaria, isso ele jamais poderia ter previsto.

E é assim, neste livro curto e intenso de 119 páginas, que presenciamos mais uma obra do século XX da pura literatura do horror clássico que apenas uma mente é capaz: Howard Phillips Lovecraft.
Outro aspecto de relevância é a qualidade da tradução e impressão. A tradução ficou por conta de Guilherme da Silva Braga, que dou destaque pois é excelente, além da qualidade de impressão e gráfica da Editora Hedra, que muito recomendo!



Trecho:
Será possível que nosso planeta tenha de fato engredado tais criaturas? Que olhos humanos possam mesmo ter visto, na substância da carne, o que até então o homem só havia conhecido em devaneios febris e lendas fantasiosas? E no entanto eu os vi em fileiras intermináveis – debatendo-se, saltando, coaxando, balindo – uma bestilialidade crescente sob o brilho espectral do luar, na sarabanda grotesca emaligna de um pesadelo aterrador.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

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