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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Preocupação ambiental em 1932

Olha que legal. A gente pensa que toda essa questão ambiental é muito moderninha. Mas em 1932, Tolkien comprou seu primeiro carro. Porém, em seguida, desistiu de ser dono de um carro por questão de princípios, por causa do efeito ambiental do grande número de proprietários e da maciça produção dos carros!

- O Dom da Amizade, Colin Duriez.

A perspectiva literária

É necessário recordar que, muito embora em um sentido o Outro Mundo era um lugar definido, ainda assim em outro sentido o reino dos deuses estava dentro de nós, a Terra e o reino das fadas coexistindo na mesma área do chão. Era tudo uma questão do olho que vê [...] O habitante deste mundo pode ficar consciente de uma existência num plano totalmente diferente. Ir da Terra ao Reino Encanto é como passar deste tempo à eternidade; não é uma jornada no espaço, mas uma mudança de perspectiva mental.

Dorothy L. Sayers – 1916.
Essa era uma colocação de perspectiva do mundo compartilhada entre os Inklings (grupo de intelectuais promovido por C. S. Lewis, com Tolkien e outros, na década de 30), que estabeleceu o padrão para escritos futuros dos professores.
Também levanta a questão de que a fantasia não é um mero escape da realidade, como consideram alguns críticos, mas um lugar-comum com possível de ser presenciado.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Sobre a amizade, por Lewis

"Em cada um de meus amigos há algo que somente um outro amigo pode extrair plenamente. Eu sozinho não sou grande o bastante para chamar o homem inteiro à atividade; preciso de outras luzes além das minhas para mostrar todas as suas facetas. Agora que Charles (Williams) morreu, nunca mais hei de ver a reação de Ronald (Tolkien) a uma piada especificamente carolina. Longe de ter mais de Ronald, tê-lo “só para mim” agora que Charles se foi, tenho menos de Ronald. Portanto a verdadeira amizade é o menos ciumento dos amores. Dois amigos deleitam-se em se unirem a um terceiro, e três a um quarto, contanto que o recé-chegado esteja qualificado para se tornar um amigo de verdade [...] É claro que a escassez de almas congêneres [...] impõe limites à expansão do círculo; mas dentro desses limites possuímos cada amigo não menos, e sim mais, à  medida que aumenta o número daqueles com quem o compartilhamos."
 


C. S. Lewis 

Extraído de O Dom da Amizade, Colin Duriez.

Tesouros passados

Há uma obra de ficção incompleta que C. S. Lewis escreveu na juventude. É sobre um rapaz de 14 ou 15 anos, “que ocultara um tesouro especial num canto escuro de seu quarto. Quando se ajoelhava nesse canto, especialmente em um dia muito ‘solitário’, podia ouvir os ventos rodopiando em torno das entranhas da casa. Seu tesouro era uma pilha irregular de papéis – canções, peças e histórias. Era tudo o que ele tentara escrever durante os anos de juventude. Por baixo dos papéis, agora desbotados com os anos, havia muitos desenhos que fizera antes de saber escrever. Além de seus escritos e desenhos havia outras coisas – caixas de tintas, gravuras extraídas de anuários para meninos, um pequeno número de livros proibidos e, quando os fundos permitiam, cigarros. Esse detrito compunha o tesouro do rapaz,
  “minha religião: pois era meu passado, e o passado era tudo o que eu já tornara meu.”'



Retirado de Tolkien e C. S. Lewis, O Dom da Amizade, de Colin Duriez
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