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domingo, 13 de maio de 2012

O Guerreiro

Ser assediado implica que se tenha posses pessoais que possam ser bloqueadas. Um guerreiro não tem nada a não ser sua impecabilidade, que não pode ser ameaçada.

Carlos Castaneda

terça-feira, 20 de março de 2012

Queria compartilhar com vocês esse blog, que tem muitos livros interessantes para download!!
Tem até livros do Castaneda, entre muitos outros relacionados às artes da natureza, religiões, filosofia...
confere, vale muito a pena!

Biblioteca Terra Oca

Segue um link especial, para quem quiser se iniciar em Carlos Castaneda:

A Erva do Diabo

É o primeiro livro da série dele, de uns 9, ou 11...

Recomendo muito, claro!
Encontrei esta entrevista do Carlos Castaneda, de 1975, um das raras vezes em que falou com a imprensa, à Veja. Tem passagens curiosas e interessantes, além de podemos tirar um pouco de proveito. O link original é do site consciencia.org

Posto aqui uma pequena parte.


VEJA - Muitas pessoas, eu inclusive, encontram dificuldades em aceitar factualmente as descrições dos ensinamentos de Don Juan. O senhor se preocupa com o fato de as pessoas reagirem dessa forma? 
CASTANEDA - Não, porque não dou ênfase na importância de minha pessoa. este é um ponto crucial dos ensinamentos que recebi de Don Juan. Raramente converso com alguém, e quando converso é face a face. Nada de gravadores ou fotografias, que trariam peso sobre a minha pessoa. Além de ferir uma das premissas básicas de feitiçaria e bruxaria, eu estaria tolhendo minha própria liberdade. Quando enfatizo a minha pessoa, estou me tachando a mim mesmo, estou colocando nas minhas costas um peso que vai além das minhas possibilidades de carregá-lo. Colocar tal peso nas costas é dar uma enorme importância à minha própria pessoa. Durante os ensinamentos, Don Juan fazia esboços na areia do deserto com o dedão do pé e preenchia os círculos com verbosidade. Ele dizia que "cargase a uno mismo" conduz a pessoa a um senso "importância personal" que combinados não permitem "acciones" por parte da pessoa. Quanto mais peso as pessoas acumulam, mais importantes elas se sentem, e menos ações elas executam. 

VEJA - Por que então publicou seus livros? 
CASTANEDA - Porque esta era a minha tarefa. O bruxo cumpre tarefas que são colocadas em lugar do peso sobre si mesmo e da importância pessoal. Meu trabalho não é feito de erudição, mas uma recoleção da vida que Don Juan colocou em seus ensinamentos. O bruxo cumpre as tarefas que lhe dão satisfação. Ele as cumpre sem esperar por reconhecimento da sociedade ou coisa que o valha, o que seria o "carregar-se a si mesmo" exercitado pelo erudito, com o objetivo de obter importância pessoal, o que não é meu caso. Por exemplo, se esta entrevista for tomada como um ato de bruxaria, ela se torna uma tarefa a ser cumprida. 

VEJA - Esta entrevista, seu trabalho, sua obra, e mesmo o fato de trocarmos idéias por várias horas, tem um efeito que me parece ir além do simples cumprimento de tarefas. Elas lhe trazem satisfação, caso contrário não as faria. Além do mais, o senhor espera que sua mensagem, os ensinamentos de Don Juan, tenham um impacto sobre público. Não seria este o caso de cumprir tarefas e esperar pelo reconhecimento da sociedade? 
CASTANEDA - Eu cumpro minhas tarefas tão fluidamente que elas não me afetam em termos de auto-importância, mas sim em termos de como vivo minha vida. Conheço dúzias de "professores" que se colocam numa torre de marfim de conhecimento: eles sabem tudo, e comandam o espetáculo para as galerias; quanto mais aclamados, ou quanto mais reconhecimento eles recebem, mais auto-importantes se sentem, mas esta mesma auto-importância se torna peso, a cruz a ser carregada, e eles como pessoas não são nada. O trabalho as afeta em termos de auto-importãncia, mas não em termos de vida pessoal. A mim o trabalho afeta em termos de vida pessoal, mas não de auto-importância. Don Juan me alertou e aconselhou que nunca me tornasse um pavão, "pavo real", que é o resultado à ênfase da importância pessoal. Quanto menos a pessoa pensa e "pseudo-age" em termos de auto-importância ela se torna mais completa. E quanto mais auto-importante se sente, mais incompleta se torna. O ser incompleto nasce da incessante procura por reconhecimento social.



Assim, acabo perguntando a mim mesmo quando poderemos ter paz e sermos livres, quando vivemos presos aos (pre)conceitos da sociedade, e mais vale uma foto bem postada e dentes falsos à mostra do que um sorriso verdadeiro ao lado de pessoas de verdade, aquelas que sentem, mas sabem viver seus sentimentos e deles fazer proveito e aprendizado. Quantas pessoas se importam mais com sua popularidade que com sua sabedoria, com inteligência e cultura. que pobre que é isto, e que ricas ficam as redes sociais. 

Mas infelizmente, acredito que para podermos nos aprofundar nas artes da natureza, na sua sabedoria e na sua alma, um isolamento se faz necessário, para lavar a alma do dispensável e carregá-la de energia, mas as preocupações corriqueiras que carregamos, inutilmente, fazem cada tarefa ser um peso, ao invés de um agrado e um ato puro.


Paz, luz, e consciência sobre cada ato.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Seus olhos eram como duas fontes radiantes de algo que não era luz ou calor, mas que curiosamente situava-se entre as duas coisas.


Carlos Castañeda (em algum livro!)

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

El viaje definitivo

“...e eu partirei. Mas os pássaros ficarão, cantando:
e meu jardim ficará, com sua árvore verdejante,
com seu poço d'água.
Em muitas tardes os céus serão azuis e plácidos,
e os sinos das torres repicarão,
como repicam esta tarde.
Aqueles que me amaram passarão,
e a cidade explodirá de novo cada ano.
Mas meu espírito sempre vagará nostálgico
no mesmo recanto escondido de meu jardim florido.”


Juan Ramón Jimenez
“El viaje definitivo” (“A viagem definitiva”)
Retirado de Carlos Castaneda - Viajem à Ixtlán

quinta-feira, 21 de julho de 2011

A Bruxa e a arte do Sonhar

Florinda, que vive no mundo de dom Juan Matus (o mesmo mestre de Carlos Castaneda), é enviada para a Venezuela, local de sua origem, numa missão de buscas por respostas e perguntas. Lá chegando, em eventos do acaso, Florinda acaba por encontrar dona Mercedes Peralta, conhecida curandeira e feiticeira de uma remota região do país. Mas não é por acado que Florinda torna-se sua aprendiz, impressionado-se ao perceber o despertar de seu caminho como espiritualista e médium, através do contato com os pacientes da curandeira, que lhe contam suas histórias fantásticas, fontes de mistérios, e do grande conhecimento do mundo espiritual que Mercedes possui. Através dos dias e meses, as histórias vão se entrelaçando e criando uma teia, e Mercedes percebe que não é ela quem vai fazer um ato por Florinda, mas sim a própria Florinda foi enviada até ela para lançar sua “sombra de feiticeira” sobre Mercedes e fazer sua “roda da oportunidade” mover-se.
Em “A Bruxa e a Arte do Sonhar”, somos levados para o íntimo das histórias dessas feiticeiras, admirando-nos com a beleza da cura espiritual e do poder, e de uma história de autodescoberta fascinante e inspiradora para qualquer pessoa com sensibilidade para acercar-se dos profundos conhecimentos proporcionados por essa agradável leitura.



Trechinho:

“ - Algumas crianças têm a força para desejar alguma coisa com muita paixão por um longo período de tempo. Candelária era uma criança assim. Ela nasceu desse jeito. Ela desejou que seu pai ficasse e desejou isto sem um pingo de dúvida. Dedicação, determinação, é isto que uma feiticeira chama de sombra.”


Autora: Florinda Donner-Grau
Editora: Nova Era
Páginas: 288

El viaje definitivo

“...e eu partirei. Mas os pássaros ficarão, cantando:
e meu jardim ficará, com sua árvore verdejante,
com seu poço d'água.
Em muitas tardes os céus serão azuis e plácidos,
e os sinos das torres repicarão,
como repicam esta tarde.
Aqueles que me amaram passarão,
e a cidade explodirá de novo cada ano.
Mas meu espírito sempre vagará nostálgico
no mesmo recanto escondido de meu jardim florido.”

Juan Ramón Jimenez
“El viaje definitivo” (“A viagem definitiva”)
retirado de Viagem à Ixtlán, de Carlos Castañeda

sábado, 18 de setembro de 2010

Anseios dos poetas

Sou eu quem caminha esta noite
em meu quarto ou sou o mendigo
que espreitava em meu jardim
ao cair da noite?

Olho ao redor
e descubro que tudo
é o mesmo e não é o mesmo...
A janela estava aberta?
Não havia eu já adormecido?
Não era verde-pálido o jardim?...
O céu era claro e azul...
e há nuvens
e está ventando
e o jardim está escuro e triste.

Penso que meu cabelo era negro...
Eu me vestia de cinzento...
E meu cabelo é cinzento
e estou vestindo negro...
É este o meu passo?
Tem essa voz, que agora ressoa em mim,
os ritmos da voz que eu costumava ter?
Sou eu mesmo ou sou o mendigo
que espreitava em meu jardim
ao anoitecer?

Olho ao redor...
Há nuvens e está ventando...
O jardim está escuro e triste...
Eu venho e vou
Não é verdade
que eu já adormeci?
Meu cabelo está cinzento...e tudo é o mesmo
e não é o mesmo.

Reli o poema para mim mesmo e captei a sensação de impotência e perplexidade do poeta. Perguntei a Don Juan se ele sentia o mesmo.
- Penso que o poeta sente a pressão do envelhecimento e a ansiedade que essa percepção produz - respondeu. - Mas isto é apenas uma parte. [...] Ele intui com grande certeza que há algum fator não mencionado, assustador por causa de sua simplicidade, que está determinando nosso destino. "

Trecho de O Poder do Silêncio, de Carlos Castaneda, que estou lendo agora. Terminando, escrevo sobre ele. Poema atribuído a Juan Ramón Jiménez.


Aliás, peço desculpas pela falta de posts e atualizações, mas é tudo culpa da faculdade, xinguem ela!!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Carlos Castañeda - o que esperar?

Ele pode ser um tremendo cara ou uma baita farsa. Mas principiando com seus escritos, ele tem 11 livros publicados - que têm sua sequência, mas não precisam necessariamente ser lidos nela - "lê o que o coração mandar", uns dizem. Castaneda estava se formando em antropologia quando quis estudar plantas com poderes alucinógenos utilizadas por índios. Foi mais ou menos assim que foi acabar aprendiz de um índio yaqui, do México, que por tradição "praticam" o xamanismo. Seus livros relatam todo seu aprendizado, rituais xamânicos, e o meio de vida alternativo no caminho do guerreiro, a fim de se tornar um líder e ganhar a liberdade. Tem passagens fantásticasque tu lê e fala "o quê?". No início parece tudo muito louco, e depois fica mais louco ainda com as explicações racionais do primeiro louco.
Eele fala, explica e vivencia termos como "segunda atenção, sonhar, espreitar, parar o mundo, auto-importância, diálogo interno e silêncio interior, força rolante, aliados, faixas de consciência e o presente da àguia". É, literalmente, uma viagem - que influenciou toda uma geração hippie e que hoje causa controvérsias. Falam da "farsa Castaneda", com evidencias de que seria tudo uma grande história de sua cabeça, e até dos impactos negativos sobre as tribos yaquis ainda existentes, como pessoas as buscando impertinentemente e a divulgação de suas práticas, que acabou por popularizar o peiote - uma espécie de cactos alucinógeno -, tornando seu uso ilegal, condenando assim as práticas indígenas. Mas há quem leve fé em tudo e siga o estilo à risca.
Independente da veracidade do todo, para mim foi uma puta lição de vida ler até onde li (o 7º livro). Pode-se extrair ensimantos inigualáveis, que podem ser postos em prática. É um trabalho constante de consciência.
Você certamente não vai se tornar um líder xamã, mas pode sim mudar em muitos aspectos a partir destes conhecimentos.

Recomendo bastante.

Bibliografia:

A erva do diabo - 1968
Uma estranha realidade - 1971
Viagem à Ixtlan - 1972
Porta para o Infinto - 1975
O Segundo círculo do poder - 1977
O presente da águia - 1981
O Fogo interior - 1984
O poder do silêncio - 1987
A arte de sonhar - 1993
Readers of infinity (ainda não traduzido)
O Lado ativo do infinito - 1999
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