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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

O Fantasma de Canterville e Outros Contos - de Oscar Wilde

O Fantasma de Canterville e Outros Contos

Como já faz mais de ano que li este livro, vou poder dar poucos detalhes, apenas as impressões que ficaram. Em oito contos, Oscar Wilde passa da doçura à amargura facilmente. Da riqueza à miséria, e atravessa tormentas e alegrias. Os contos são cheios de alegorias, que trazem em simplicidade “lições de moral” de quem muito bem podia falar delas. Trata-se do amor em sua essência limpa, e também há grandes críticas sociais e políticas um pouco disfarçadas por belas histórias. Todos os contos mantém um padrão de narrativa, suave, e que na minha opinião contém todos os elementos necessários ao contos que valem a pena. É só Wilde nos contagiando com seu exemplar ecletismo e perfeccionismo literário (assim eu acho!).

Contos inclusos:
  • O Fantasma de Canterville
  • O Príncipe Feliz
  • O Crime de Lord Arthur Savile
  • O Rouxinol e a Rosa
  • O Modelo Milionário
  • O Pescador e sua Alma
  • O Foguete Notável
  • O Filho da Estrela


·         Ediouro – Coleção Universidade de Bolso. Edição bem antiga, comprada por 3 bagatelas num sebo!! :D

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Como Nasrudin criou a verdade.

As leis não fazem com que as pessoas fiquem melhores — disse Nasrudin ao Rei. — Elas precisam, antes, praticar certas coisas de maneira a entrar em sintonia com a verdade interior, que se assemelha apenas levemente à verdade aparente.
O Rei, no entanto, decidiu que ele poderia, sim, fazer com qu
e as pessoas observassem a verdade, que poderia fazê-las observar a autenticidade — e assim o faria.
O acesso a sua cidade dava-se através de uma ponte. Sobre ela, o Rei ordenou que fosse construída uma forca.

Quando os portões foram abertos, na alvorada do dia seguinte, o Chefe da Guarda estava a postos em frente de um pelotão para testar todos os que por ali passassem. Um edital fora imediatamente publicado: "Todos serão interrogados. Aquele que falar a verdade terá seu ingresso na cidade permitido. Caso mentir, será enforcado."
Nasrudin, na ponte entre alguns populares, deu um passo à frente e começou a cruzar a ponte.

— Onde o senhor pensa que vai? — perguntou o Chefe da Guarda.

— Estou a caminho da forca — respondeu Nasradin, calmamente.

— Não acredito no que está dizendo!
— Muito bem, se eu estiver mentindo, pode me enforcar.

— Mas se o enforcarmos por mentir, faremos com que aquilo que disse seja verdade!

— Isso mesmo - respondeu Nasrudin, sentindo-se vitorioso. — Agora vocês já sabem o que é a verdade: é apenas a sua verdade.


(google images)

O Mullá Nasrudin (Khawajah Nasr Al-Din) escreveu, no século XIV em que viveu, histórias onde ele mesmo era personagem. São histórias que atravessaram fronteiras desde sua época, enraizando-se em várias culturas. Elas compõem um imenso conjunto que integra a chamada Tradição Sufi, ou o Sufismo, seita religiosa ou de sabedoria de vida, de antiga tradição persa e que se espalha pelo mundo até hoje. Como o budismo e o zen-budismo, o sufismo sempre aliou o (bom) humor com sabedoria.


O texto acima foi publicado no livro “Histoires de Nasroudin”, Éditions Dervish, s.d., e extraído do livro “Os 100 melhores contos de humor da literatura universal”, Ediouro – Rio de Janeiro, 2001, pág. 50. Organização de Flávio Moreira da Costa.

Extraído de: Releituras.

Pra mim, tem contexto político.

sábado, 18 de setembro de 2010

O conto: O Ancião

Um jovem escritor resolveu correr o mundo para encontrar um homem muito sábio de idade avançada que lhe explicasse algumas coisas da vida que ainda se tornavam enigmas no seu dia a dia. O rapaz se despediu de seus pais e parentes para uma longa viagem. Dizem as boas falas que só o nosso coração é capaz de nos levar ao encontro desse ancião de fala macia e calma.


-Maurício, você é louco de procurar um homem que não sabe quem é! – dizia seu melhor amigo Augusto.

-Preciso ir, tenho que descobrir a verdade e relatarei a todos, pois escreverei tudo que ele me contar.

-Tem certas horas que eu realmente não o conheço, apesar de termos crescidos juntos.

-Não se preocupe... Eu só estou tentando buscar as minhas verdades e desvendar as minhas dúvidas. Deseje-me sorte.

-Vai com Deus, meu amigo!


Maurício colocou a sacola nas costas, a coragem na cabeça e seguiu o seu caminho em direção a lugar algum. Se com destino certo é difícil de se chegar, imagine sem tê-lo. O jovem rapaz seguiu caminho sem rumo. Andou milhas e milhas, carona em carona até chegar em um lugar pacato onde as pessoas são tão lentas até para falar.Maurício para num pequeno bazar onde um homem fumando um charuto fedorento o olha com desdém.


-Por favor, senhor, eu estou à procura do ancião.


O homem o olha de cima abaixo, dá três baforadas no charuto e responde:


-Tu tá falando daquele velho louco que fala uma porção de besteira sem sentido?

-Esse mesmo!

-Tu segue essa estrada de terra batida inté o final, lá tu vai vê uma casa de sapê com paia encima, é lá que ele vive.

-Muito obrigado! – disse Maurício, virando-se e partindo.

-Mais um louco sem juízo! – falou cuspindo no chão o homem.


Maurício caminhou, caminhou, caminhou... O sol já estava dando o lugar para a lua brilhosa de verão e o rapaz não parava de andar, só que o cansaço não perdoa, Maurício teve que parar e dormir um pouco. Perto de uma árvore velha o rapaz se encostou e dormiu um sono reparador, como nunca tinha dormido antes.


Os primeiros raios solares bateram em seu rosto. Maurício despertou e viu a tal casa de sapê que o homem do charuto fedido falou. Só uma coisa Maurício não entendeu, como de noite ele não conseguiu ver aquela casa ali tão próxima dele? Levantando e sacudindo a poeira acumulada, o rapaz foi até a casa e bateu na porta... Nenhuma resposta... Outra vez... Nada! Então ele resolveu entrar e lá encontrou um homem aparentando a idade de cem anos, que com a cabeça baixa como que concentrado.


Maurício colocou a sacola num canto e em frente do velho se sentou. Nada existia na casa. Não havia cadeira, mesa, fogão, água, comida, para dizer a verdade, só o velho estava lá, vestido com as roupas mais simples já vistas.


-Ancião? – chamou Maurício, tentando olhar o rosto do velho que permanecia com a cabeça baixa.


O velho nem se movia... Maurício levantou-se decepcionado, pegou a sacola, abriu a porta...


-Aonde pensas que vás?

Desististes de procurar a verdade

que tanto almejas?


Maurício retornou assustado, colocou a sacola no mesmo local de quando entrou e voltou a sentar diante do velho que falava por versos.


-Como poderei ser um grande homem ancião?

-É aquele que estende a mão ao próximo,

que ama a Deus acima de tudo,

que jamais abandona os amigos,

que tem conhecimento sem humilhar o humilde,

que é rico de compaixão,

não julga sem que seja julgado,

comanda sem explorar,

constrói sem destruir,

vive sem matar,

luta e ama,

pensa antes de fazer,

faz sem se arrepender,

impõe a justiça,

divulga o amor,

constrói uma família,

confessa que erra,

conserta o erro,

perdoa todos pelos os seus pecados.


O velho voltou a abaixar a cabeça. Maurício ficou sentado pensando nas palavras daquele homem que disse tudo o que queria saber em poucas palavras.

O rapaz se levantou, pegou a sacola, saiu da casa, andou alguns passos e virou-se para perguntar o nome do velho. A casa havia sumido. Maurício percebeu que não precisava ir tão longe para buscar uma resposta que vive dentro do coração de cada um de nós. Ela está lá, é só fazer uma viagem para dentro de si e encontrar aquele ancião que carregamos todos os dias de nossas vidas.


Conto de: Edson Gomes, do Blog O Último Lampejo do Crepúsculo.
Protegido por direitos autorais.
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