sexta-feira, 29 de junho de 2012

Só não tem quem não quer.

Mais uma indicação para bons downloads. Tem bastante coisa mesmo, em grande parte textos e artigos libertários.
Para instigar, facilito dizendo que podemos baixar ali Aldous Huxley, Emma Goldman, Emile Durkheim, Guevara, Malatesta, Nietszche, George Orwell, Thoreau, Tolstói, Lenin, Bakunin, Oscar Wilde, Prouhdon, Kropotkin, entre outros menos conhecidos, nacionais e vivos, e mts artigos.
Sério, não deixa passar essa. hehehe

No país em que um mini livro custa 20 pilas e tais obras ainda são meio raras de se achar, tal acervo se faz necessário e útil.

Boas leituras.

Biblioteca Pública Independente

Penso, logo, concluo.

A Pele da Alma


Do mesmo modo que os ossos, os músculos, as vísceras e os vasos sanguíneos estão envoltos por uma pele que torna suportável o aspecto do homem, assim também as emoções e paixões da alma estão envoltas pela vaidade: ela é a pele da alma.


O Sono da Virtude


Se a virtude dormiu, levantar-se-á com mais frescor.


Delicadeza da Vergonha


Os homens têm vergonha, não por terem algum pensamento vil, mas sim quando imaginam que se atribui a eles esses pensamentos vis.


A Maldade é Rara


A maioria dos homens está muito ocupada consigo mesma para ser má.






Transcrição de "Humano, demasiado humano", Nietzsche, 1878.

O Cristianismo como Antiguidade

Quando, numa manhã de domingo, ouvimos tocar os velhos sinos, nos perguntamos: como é possível? Isso diz respeito a um judeu, crucificado há dois mil anos, que se dizia filho de Deus! Falta a prova para semelhante afirmação. Certamente a religião cristã é, em nossa época, uma antiguidade, um vestígio de um distante passado, e o fato de que se possa acreditar nessa afirmação - enquanto, de outro modo, nos tornamos tão rigorosos na averiguação das afirmações - talvez seja a peça mais antiga dessa herança. Um Deus que gera filhos com uma mulher mortal; um sábio que recomenda não trabalhar mais, não julgar mais, mas estar atento aos sinais do iminente fim do mundo; uma justiça que aceita o inocente como vítima substituta; alguém que ordena a seus discípulos beber seu sangue; orações para pedir milagres; pecados praticados contra um Deus e expiados por um Deus; medo de um além, do qual a morte é a porta; a figura da cruz como símbolo, numa época em que já não se conhece o destino nem a ignomínia da cruz - que vento horripilante nos vem de tudo isso, como que saído do túmulo de um passado antiquíssimo!
Quem haveria de crer que ainda se acredita em semelhante coisa?

Transcrito de "Humano, demasiado humano" de Nietzsche, 1878, inclusive o título.
Capítulo 113.

Obra de Caravaggio

Enfim...

Eu disse que ela viria ;) Agora faltam-me livros. E claro, Tolkien ganhou uma prateleira exxclusiva. Acima, meus troféus do hipismo o/

Decidi organizar por tamanho e espessura, mesmo, mas os mesmos autores ficam juntos.

Estante da Vanessa

terça-feira, 12 de junho de 2012

Literatura fantástica brasileira

Ótimo artigo, que fala sobre o surgimento da literatura fantástica brasileira, e de como esses autores têm de encarar ainda muito preconceito e ladainha.
A literatura brasileira é riquíssima e vasta, com grande clássicos consagrados mundialmente. Infelizmente,  muita gente ainda tem a visão mesquinha de que é antiquada e deslocada - para não falar ruim.
É bom ver que mesmo em meio ao surto de estrangeirismos no Brasil, existem autores atualmente dedicados a levar nossa cultura adiante e de forma mística, ainda, além de facilitar o acesso à cultura pela sociedade.





segunda-feira, 11 de junho de 2012

Resenha "comparativa": Senhor dos Anéis x Guerra dos Tronos


Bem, não é difícil de achar por aí, textos que tentam comparar, pôr em pé de igualdade ou menosprezar um a favor do outro, Senhor dos Anéis (SdA) e Guerra dos Tronos (GoT)1. Sou fã adicta de Tolkien, e leitora costumaz de fantasia, então também me encantei por GoT. Mas vou tentar não ser tendenciosa ao SdA e ser justa – ok, justiça pode ser um conceito individual, mas tentarei fazer nos meus termos.


- A se começar pelo uso da fantasia em si. Fantasia é aquela obra que faz uso de personagens ou seres de caráter mitológico, nascidos da imaginação do próprio autor ou tirados de lendas antigas. Pode ter importância secundária, ou tomar dimensões inconcebíveis. Basicamente, é isto que difere as duas obras.Tolkien usa a fantasia dentro da própria narrativa, o ambiente é totalmente fantástico e a sua presença é constante e imprescindível. Sem tal ambientação quase sem limites, muita coisa perderia o sentido e o contexto.  Já Martin, ao meu parecer, faz dela uso secundário. Os seres fantásticos e mitológicos estão ali, para dar o toque mágico, escuro ou tenebroso necessário para a impressão do leitor. Mas de modo algum eles são o motivo da obra – ou pense bem, os gramequins não fariam falta, e os Outros só servem, até agora, para dar medo e fazer parte de um desenrolar de trama.

- Outra característica importante é a avaliação das personagens, e vou me estender. Um livro só existe pq têm personagens, e personagens só existem porque têm um fim e um começo – e nesse meio tempo, uma evolução. E é a evolução que dá sentido pra tudo, não seria justo o Aragorn ser Rei sem ter lutado, ou a Daenarys ter os dragões sem ter sofrido. O final pode ser então a conquista do objetivo, ou obra da “justiça divina”, a redenção dos pecados ou a punição, a morte, enfim. E cada personagem tem seu meio de chegar até lá. Ambas estórias têm heróis e vilões. Mas Tolkien manipula (ou dá vida) as personagens de forma mais pueril e suave. Elas sofrem, e têm sentimentos humanos, mas geralmente é algo profundo, que faz tal pessoa se questionar, põe em dúvida a missão. Digamos que Tolkien dá mais heroísmo clássico (?) nos infortúnios dos coitados, bem como a recompensa é bela e grandiosa. Então, ao meu ver, as personagens se Tolkien se aproximam um pouco mais do sagrado e não são atormentadas por questões tão mundanas, são seres exemplares e geralmente honrosos, um pouco mais de beleza e suavidade. Já as personagens de Martin, elas me parecem arranhar, dão um sentimento mais forte de raiva, indignação, ou um carisma maior – mas isso quer dizer que elas são mais humanas, portanto, são mais sujas, apresentam mais conflitos éticos e essas coisas comuns, bem como a presença comum de bordéis, sexo, homoafetividade, e sentimentos mais feios são constantes, como a vingança má, e o desejo de cabeças rolando por puro prazer – aliás, o prazer move muitas coisas ali, esse desejinho incoerente, rsrs. Até mesmo as personagens más do Tolkien são mais grandiosas e espertas – desde Morgoth que f**eu com tudo, até Saruman (seu faxineiro, rsrs), que em humilde simplicidade constrói aberrações inumanas mortais. Porém, parece-me que Martin trabalha um pouco mais toda essa inconstância humana e espírito de almas.
Série de livros de G. Martin (Fonte: Amazon)
                    Série de livros de G. Marin (Foto: Amazon)


- complexidade e coerência da obra. Bem, até que não dá pra falar muito em coerência quando o assunto é Tolkien. Mas complexidade dá. Os terrenos de ambientação são inigualáveis. Tolkien moldou três eras longas e recheadas de mitos, lendas, heróis e anti-heróis, bem como explicou em epopeia o nascimento do mundo e de cada ser habitante da “atual” Terra Média. Confesso não ser perita em Martin. Mas até hoje nunca ouvi falar sobre como Westeros surgiu, ou da onde vieram os Outros. Existem passagens que tentam explicar e dão sugestões sobre o passado remoto de seu mundo, dando a ilusão de que um dia tudo vai se encaixar. Mas não. São passagens vagas e tu fica: “tá, e daí, o que veio depois?”, contrastando com toda a riqueza de detalhes e sofisticações tolkenianas. Além das línguas de Westeros, que sabemos que existem, mas até agora, nada mais2. Mas sobre Sindarin e Quenya existem quase dicionários deixados por Tolkien. Na realidade, não creio existir obra tão complexa quanto a história de Arda/Terra Média e seus povos.
Confesso que tentei ser imparcial, mas talvez não tenha dado. Minha predileção por tolkenidades é visível e tá explodindo do texto. Mas nem de longe eu quis falar mal ou depreciar GoT. Estou adorando a série, é envolvente e tudo o mais. Podem ler as resenhas abaixo ;)

E no fim, para não ficar no vácuo, a maior constatação de todas: não dá para comparar o incomparável – sem querer dizer que uma é melhor que a outra, porque elas são DIFERENTES, cada qual tem qualidades únicas e memoráveis. Acho que isso põe um ponto final, não é?


Quem tiver objeções, manifeste-se.


Notas:
1. Por SdA identifico toda a obra tolkeniana, Silmarillion e etc. Li apenas até o segundo livro da série As Crônicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin, da qual o primeiro livro é o Guerra dos Tronos - mas vou continuar - são 5.
2. Justamente por não ter terminado a série d'As Crônicas não posso afirmar que não existam explicações maiores e adendos. Mas até agora, não li a respeito - o que pode ser um engano confesso.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

A Fúria dos Reis - Resenha


A continuação de A Guerra dos Tronos, o segundo livro da série “as Crônicas de Gelo e Fogo”, A Fúria dos Reis, exibe mais precisamente todo o talento de G. R. R. Martin. Nesse episódio, o Reino encontra-se em caos. Quatro (ou 5...) Reis tentam reinar onde a desordem prevalece e os ânimos se alvoroçam, e a trama segue se misturando com os destinos desses Reis, seus maniqueísmos e manipulações.

Nos Sete Reinos, predominam os saques e roubos, os incêndios e a destruição. Em Porto Real, cidade onde agora reina a pobreza, Tyrion segue com suas artimanhas surpreendentes, enquanto Cersei, má e altiva, governa em nome do tolo e cruel Joffrey. Robb Stark continua liderando seu exército até então vitorioso contra os Lannister, enquanto Stannis se alia a forças desconhecidas para a conquista do que reclama seu por direito.

No Norte, Jon tem de abandonar o grupo, lutando pela própria vida, enquanto as maiores ameaças para o Reino se moldam. Porém, lá no Leste, Daenarys atravessa desventuras e ameaça cruzar os mares em busca de sua coroa prometida, ao tempo que seus bebês crescem. Sansa e Arya vivem momentos de desespero e descobertas.

O enredo criado dessa vez é fantástico. Mas, embora Martin seja capaz de nos proporcionar ansiedade e curiosidade, também tem os capítulos de marasmo, dito os de Catelyn. Mas na maior parte do tempo, somos carregados para dentro dessas páginas com entusiasmo, conhecendo melhor esse mundo de glórias, desonras e traições que pairam por toda a história, onde vemos toda a miséria humana, mas também sua altivez, e o que menos se espera nos surpreende na próxima página; é todo esse mistério e essa trama de personagens complexas que faz da série de Martin algo merecedor de atenção, magnificamente ambientada numa Idade Média em grandes proporções e com toques de intensa fantasia, além de, talvez o mais atrativo para muita gente, o realismo que nos faz envolver com cada sentimento, nos trazendo o ódio ou a compaixão para determinadas personagens, avivando com maestria todo o ambiente, e nos fazendo crer habitar lugares já visitados pelas lembranças.








Ed. Leya
2011
656 páginas


quinta-feira, 24 de maio de 2012

A discriminação aos latinos chegou aos livros!


Nos EUA, existe agora um novo comércio ilegal. Os traficantes de livros! É isso mesmo, infelizmente e felizmente, ao mesmo tempo.
Tudo começou na cidade de Tucson, no estado do Arizona. Eis que o governo local, que mantém uma rígida lei anti-imigrantes, proibiu, retirando das escolas e circulação, diversos livros de origem latino-americana, em atitude amplamente discriminatória, além de remover os estudos Mexico-americanos dos programas escolares. As autoridades locais declararam que tais trabalhos promovem interesses antiamericanos – como obras que explanem sobre o racismo. Uma lista de livros
proibidos foi lançada, e entre eles estão: “Pedagogía del oprimido de Pablo Freire; El Zorro de Isabel Allende; Yo soy Joaquín/I am Joaquin de Rodolfo González; Bless Me Última de Rudolfo Anaya; La Llorona: Our Lady of Deformities de Ramón García son sólo algunos de los más de 80 títulos guardados en una bodega”.


Em resposta, a escritora Ana Castillo criou um blog para que qualquer autor latinoamericano difunda seus trabalhos, e os “librotraficantes” se certificaram de preservar a cultura e história latinas, através da criação de bibliotecas que divulguem as obras rechaçadas pelo governo de Tucson, porém a medida se espalhou para outras cidades do Arizona, que já contam com o trabalho dos librotraficantes ativistas. Em uma semana, foram distribuídos mais de mil livros!


Artigo original, em espanhol: La discriminación...



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